O integrARTE – Projeto de Integração de Migrantes é uma iniciativa promovida pela Rural Move que coloca a arte ao serviço da inclusão social, respondendo aos desafios da integração de comunidades migrantes em territórios rurais do interior de Portugal. Distinguido como um dos projetos vencedores dos Prémios Caixa Social 2025, na área da Inclusão Social e Solidariedade, o projeto arrancou em janeiro de 2026 no Agrupamento de Escolas Dr. Guilherme Correia de Carvalho, em Seia, como município-piloto. Através de processos artísticos colaborativos, o integrARTE procura fortalecer laços comunitários, desenvolver competências pessoais e linguísticas e contribuir para a construção de territórios mais inclusivos, coesos e culturalmente diversos. Para isso, o projeto combina a arte com a metodologia CLIL (Content and Language Integrated Learning), implementada com o apoio da Universidade do Minho, apostando nas crianças e jovens como agentes multiplicadores de mudança, cujo impacto se estende às famílias e à comunidade de acolhimento.
O projeto integrARTE deu os seus primeiros passos em Seia com duas sessões inaugurais carregadas de energia, cor e humanidade. Reunindo crianças de oito nacionalidades: Portugal, Angola, Marrocos, França, País de Gales, Brasil, Índia e Estados Unidos; estas primeiras semanas ficaram marcadas por um encontro genuíno entre culturas, mediado pela linguagem universal da arte.

Quem se esconde atrás das máscaras?
Antes de qualquer pincelada ou recorte, era preciso romper o gelo. A primeira sessão começou com uma atividade simples e poderosa: um novelo de lã foi lançado ao acaso de mão em mão, e cada criança que o recebia apresentava-se: nome, arte favorita, cor preferida. No final, o novelo percorreu o caminho inverso, e cada participante tinha de recordar o que a pessoa que lhe tinha passado o fio havia dito. Uma teia de histórias e identidades foi-se formando literalmente à vista de todos.
Com o espaço aquecido e as inibições desarmadas, chegou o momento de criar. Sob a orientação da artista ana verónica, as crianças foram convidadas a construir as suas próprias máscaras, utilizando cartolinas e uma variedade de materiais disponíveis no ateliê. Não havia regras nem modelos a seguir, apenas liberdade de expressão e a riqueza das diferenças individuais espalhadas por cima das mesas. Cada máscara tornou-se um retrato único de quem a fez: cores, formas e texturas que contavam, sem palavras, de onde cada um vinha e quem era.
No final da tarde, as crianças tiveram um merecido coffee break enquanto, às 17h30, a escola abria as portas a pais e docentes para uma sessão de apresentação do projeto. Foi o primeiro momento de diálogo com as famílias e com a comunidade educativa, lançando as bases de uma parceria que se quer próxima e participativa ao longo de todo o ano.

Vamos fazer um caderno?
Na segunda sessão, o grupo voltou a encontrar-se, desta vez com um quebra-gelo pensado para alargar horizontes. No quadro foram escritos diferentes tipos de arte em português, e as crianças foram chamadas a identificar os seus favoritos. Mais do que uma atividade de apresentação, foi uma oportunidade para mostrar que o universo artístico é vasto e surpreendente, que a fotografia, a dança, a arquitetura ou os video jogos são, também eles, arte, e que cada um deles pode encontrar o seu lugar dentro desse espectro.

Ana Verónica volta para a atividade principal da sessão, a criação de um caderno pessoal, que irá acompanhar cada criança ao longo de todo o projeto. Feito com cartolinas e cosido à mão na lombada com linha, cada caderno foi decorado no exterior com temas de união, igualdade e encontro, palavras e imagens que as próprias crianças escolheram para dar rosto ao que sentem. Na primeira página do interior, colada com cuidado, ficou uma fotografia polaroid de cada participante: um registo do presente que, daqui a anos, quando estas crianças forem adultas, terá a beleza agridoce de uma memória guardada.
Enquanto os mais novos coziam e decoravam, os professores participavam em paralelo numa sessão de formação dedicada à metodologia CLIL, Content and Language Integrated Learning, dinamizada pela Professora Doutora Micaela Ramon da Universidade do Minho, no âmbito da parceria da Rural Move com o Centro de Línguas BabeliUM. Durante 2 horas, discutiu-se e aprendeu-se a como integrar o ensino da língua portuguesa de forma natural e contextualizada nas atividades artísticas. Um investimento na capacidade da escola para continuar este trabalho além das sessões formais do projeto.

